Não me posso queixar

pois fui uma priveligiada. Fez na passada sexta feira 15 anos que vi isto. Foi no Pavilhão do Dramático de Cascais, com a minha Amiga Mágica. As duas a ouvir um homem que pouco tempo depois resolveu pôr termo à sua vida. Eram os "Deuses do Grunge", logo seguidos dos Pearl Jam. Era um estilo de vida, o Grunge, vindo directamente de Seattle. O meu roupeiro estava repleto de calças de ganga justas compradas na Praça de Espanha, camisas de flanela aos quadrados, t-shirts brancas e pretas, t-shirts com mensagens e Doc Martens pretas compradas em Londres. Havia mochilas da tropa todas rabiscadas, cheias de alfinetes e crachás. Os cadernos da escola estavam forrados de imagens sacadas da Super Som e do Blitz. Não havia cá mp3 nem internet e passavam-se horas a gravar cassetes com as músicas favoritas. No walkman rodavam incessantemente bandas como os Soundgarden, Alice in Chains, Mother Love Bone, My Little Fun House, Stone Temple Pilots e, claro, Pearl Jam e Nirvana, entre muitos outros. Eram cassetes usadas e reutilizadas até à exaustão ou até que o leitor comesse a fita. Comprava cds em 2ª mão na feira da ladra e quando me fartava deles, ia à Carbono vende-los para ter um dinheirito para comprar outros. Esta era a minha adolescência. E será sempre lembrada assim... pela música e por filmes como o "Singles".